Atuação da equipe de farmácia clínica ajuda a reduzir necessidade de uso de EPIs

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Em tempos de pandemia, os profissionais da saúde estão se desdobrando para criar e adaptar protocolos de atendimento aos pacientes com Covid-19. E a atuação da equipe de farmácia clínica tem ganhado destaque em muitas unidades de tratamento para doença como é o caso do Hospital Sírio Libanês de São Paulo.

A farmacêutica coordenadora do setor no hospital, Lívia Barbosa, diz que foi preciso coordenar as ações de forma rápida. “Como a unidade não foi uma das primeiras a receber pacientes com o vírus, houve tempo para a preparação dos protocolos internos. O hospital criou um comitê de crise, que se reunia diariamente. Enfatizo a necessidade de ter agilidade. Como o paciente hoje está muito bem e amanhã ele pode ficar grave. No início da pandemia, como era uma coisa totalmente imprevisível, o dia a dia era de muita expectativa: a gente precisava planejar para comprar, decidir as terapias que teríamos disponíveis”, lembra.

Para otimizar recursos e preservar ao máximo a saúde dos que atuam diretamente com esses pacientes, Lívia Barbosa explica que foi criada uma evolução padrão dos pacientes para que a equipe conseguisse acompanhar melhor os pacientes. “Um aspecto importante foi no sentido de reduzir o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Por um lado, era preciso proteger os profissionais e, por outro, garantir o material para aqueles que não poderiam deixar de estar dentro da UTI. Então, na revisão da prescrição, a gente fazia agrupamentos dos aprazamentos para tentar reduzir o número de vezes que os pacientes tinham que tomar os medicamentos e a necessidade de utilização de EPIs pelos enfermeiros ao entrar nos quartos para administração dos medicamentos. Foram iniciativas simples que tiveram um impacto muito bacana. A gente conseguiu reduzir em torno de 30% a quantidade de entradas nas UTIs e, consequentemente, a utilização de EPIs”.

 

Farmacêutica Lívia Barbosa

 

Outra iniciativa de destaque da equipe de farmácia clínica foi o acompanhamento dos pacientes pelo telefone. “É até interessante porque a gente percebia uma certa carência por parte dos pacientes. Então, às vezes, uma coisa que a gente levava 10 minutos para fazer acabava demorando 40, porque o paciente queria alguém conversando com ele, se sentia muito solitário”.

Com relação ao uso de medicamentos de forma não indicada na bula, off label, para os pacientes com o vírus da Covid-19, Lívia explica que a equipe médica do Hospital Sírio Libanês tem procurado interagir com os farmacêuticos e adotar tratamentos personalizados. “No caso da hidroxicloroquina, por exemplo, houve uma grande aposta que não se concretizou, os resultados dos trabalhos mostraram que os benefícios não superaram os riscos e o uso reduziu bastante. Havíamos preparado nossos estoques e atualmente o uso é bem pontual. Lívia relata que houve casos de pacientes que apresentarem alteração visual após o uso da cloroquina e a equipe realizou ativamente o monitoramento desses pacientes. “Isso foi uma das coisas que da atuação da farmácia clínica acho que tem um destaque bem bacana. A farmacovilância é essencial”.

A farmacêutica também alerta sobre os riscos da automedicação. “Recebemos uma paciente que havia utilizado muitos medicamentos, inclusive hidorxicloroquina e dois anticoagulantes, mesmo sem estar infectada. Ela tinha um quadro de intoxicação grave. Existe um certo desespero. E algumas pessoas estão recorrendo às farmácias e tomando medicamentos mesmo sem ter Covi-19. O nosso papel em evitar que as pessoas façam isso é muito importante”.

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