Camila Zimmer fala sobre logística durante a pandemia

0
0

A farmacêutica atua na equipe do Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Por todo o País, farmacêuticos têm trabalhado nos hospitais para atender aos pacientes com coronavírus. Camila Zimmer da Silva, está atuando na Seção de Gerenciamento e Logística de medicamentos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, no Centro de Terapia Intensiva de Covid-19. Ela compôs a Câmara Técnica “Cuidado Farmacêuticos no enfrentamento da COVID-19”, auxiliando na construção de um plano de contingência do vírus. Durante o debate virtual sobre o tema, promovido pela regional do Rio Grande do Sul da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (SBRAFH), a farmacêutica destacou diversos pontos importantes do trabalho da farmácia hospitalar.

Camila disse que aprendeu muito durante a elaboração do plano de contingência, onde dividiu dificuldades e discutiu sobre gestão de pessoal. “A gente passa por situações novas para os grupos e precisamos montar novas estruturas, pois era um vírus desconhecido. A equipe da farmácia hospitalar precisa priorizar o apoio à equipe assistencial nesse momento. O que a gente precisa dentro de todo esse cenário é minimizar a transmissão do vírus. E como que a gente faz isso? Precisamos diminuir a circulação de pessoas dentro de ambientes, principalmente porque as farmácias, muitas vezes, são ambientes que não são tão grandes e não têm uma ventilação natural”.

Para diminuir o fluxo de pessoas e o risco de disseminação do vírus, a especialista recomenda flexibilizar as escalas da equipe. “Precisamos pensar na diminuição de fluxo de pessoas, de acordo com a nossa realidade, com a complexidade do ambiente que está trabalhando, do quão a unidade está envolvida. É preciso flexibilizar escalas porque tenho que verificar o que priorizar nas tarefas. O nosso cliente é a enfermagem. Então, a gente tem que priorizar a assistência ao paciente e, no caso da farmácia hospitalar, a gente precisa priorizar o apoio para estas equipes da ponta”.

Com relação ao treinamento de pessoal, a farmacêutica destaca que não se pode esperar um momento ideal para fazer. “A gente precisa se acostumar com essa questão de treinar os funcionários de outras áreas. Se temos um funcionário que já está acostumado com terapia intensiva, com bloco cirúrgico, farmácia de emergência, com esse ritmo mais acelerado, é preciso tentar passar outras tarefas, talvez até deslocar a equipe da farmácia para outros locais de apoio em que não estejam acostumados naquele momento, se dedicando à parte de atendimento de pacientes com Covid”.

Sobre os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), Camila lembra que os procedimentos têm sido alterados a todo momento, conforme orientações do comitê de crise e de controle de infecção hospitalar, e que devem ser seguidos à risca. “É muito importante que a gente mantenha o que é preconizado pela instituição para que não falte para quem precisa e todos tenham os materiais ao seu dispor”.

Com relação à seleção de medicamentos e produtos para saúde, a farmacêutica diz que, durante a pandemia, mais do que nunca, ficou evidente que esse trabalho depende de vários setores. “Em um hospital de grande porte, a gente tem, por exemplo, o setor de compras, a equipe médica, os prescritores, o controle de infecção, a farmacoterapêutica, a parte da logística, tem a farmácia clínica, que faz esse link entre a logística e a equipe. A gente está passando por uma ruptura de abastecimento”.

Ela relata que, em sua experiência no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, por exemplo, a cada semana itens essenciais podem entrar em risco de falta, principalmente sedativos, bloqueadores neuromusculares e EPIs. “A todo momento, a gente precisa traçar novos planos para manter os estoques e fazer uma reprogramação para aumentá-lo”.

Além disso, Camila Zimmer lembra que a higienização dos locais de estoques, na parte de recepção e armazenamento dos materiais é essencial. “Com o aumento do estoque, criamos locais alternativos para armazenar. Muitas vezes, não são ambientes ideais, com relação à temperatura e umidade, mas a gente precisa do mínimo de segurança possível”. Entre os itens que devem ser observados, Camila destaca, ainda, a higienização na hora do transporte dos insumos, dos carros que vão levá-los, das caixas e do pessoal que vai carregá-los para as áreas assistenciais.

Na dispensação, ela lembra que é preciso evitar o manuseio de documentos impressos e adaptar os locais de entrega, para promover o menor deslocamento possível da equipe para a entrega dos insumos. Assista às dicas que a especialista deu durante a live promovida pela SBRAFH: Plano de contingência na Covid-19: tira-dúvidas em logística e farmácia clínica.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui