CFF entrevista farmacêutica que participa de testes com vacina chinesa no Brasil

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Dayde Mendonça é professora da Faculdade de Ciências da Saúde (FS) e gerente de Ensino e Pesquisa do Hospital Universitário de Brasília (HUB)

Os testes da vacina chinesa contra o coronavírus no Brasil, a CoronaVac, devem começar nesta terça-feira (21/07) em São Paulo, após parceria com o Instituto Butantan. As doses da vacina do laboratório chinês Sinovac Biotech chegaram na madrugada de segunda-feira, no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP). Nesta terceira fase de testes, 9 mil voluntários, prioritariamente profissionais da área da saúde, irão receber a vacina contra o coronavírus. Eles terão preferência em função do grau de exposição ao vírus inerente ao seu trabalho.

O Hospital Universitário de Brasília (HUB) é um dos 12 centros pesquisa no país selecionados para a última fase de teste da vacina, mas ainda não recebeu as doses. Em Brasília, a pesquisa é coordenada pelo professor Gustavo Romero, pesquisador do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade de Brasília (UnB), em parceria com o Setor de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica do Hospital Universitário de Brasília (HUB). O Conselho Federal de Farmácia entrevistou a farmacêutica Dayde Mendonça, que, junto com o também farmacêutico Fernando Araújo Rodrigues de Oliveira, são responsáveis pelos testes no hospital brasiliense.

Qual é a importância dessa pesquisa para a saúde pública nesse momento?

Sabemos que a produção de uma vacina eficaz e segura será a principal medida de saúde pública no combate à pandemia, sobretudo, ao considerar a alta taxa de contágio do vírus SARS-CoV-2 e a falta de medicamentos comprovadamente eficazes e disponíveis à população. Além disso, o estudo também nos permitirá oferecer aos profissionais de saúde do DF, que estão diretamente envolvidos no cuidado oferecido a pacientes com Covid-19, acesso imediato a uma promissora tecnologia de proteção à saúde.

Como farmacêutica, como a senhora se sente participando desse estudo?

É uma grande satisfação participar de uma pesquisa de relevância internacional na busca de uma estratégia de combate à pandemia. Eu e o colega Fernando Araújo Rodrigues de Oliveira, juntamente com outros farmacêuticos da equipe, contribuiremos na preservação do rigor metodológico do estudo e na garantia das condições ideais de armazenamento e aplicação da vacina, no acompanhamento dos pacientes, entre outras atividades, visando assegurar a qualidade e confiabilidade dos dados.

Qual será a participação dos centros de pesquisa no estudo?

Os centros de pesquisa disponibilizarão toda a infraestrutura de pesquisa, como espaço físico adequado, com temperatura controlada e equipamentos que garantam as melhores condições de armazenamento, de forma a preservar a qualidade da vacina. Além da infraestrutura, os centros coordenam as equipes de pesquisadores e profissionais qualificados e capacitados, com certificação em boas práticas clínicas, na condução da pesquisa com o rigor metodológico necessário. Os centros de pesquisa também são responsáveis de selecionar, incluir e acompanhar os participantes do estudo, possibilitando que os resultados sejam alcançados de forma mais rápida e segura, e consequentemente, que a vacina possa ser utilizada na prática clínica o quanto antes.

Ainda dá tempo de profissionais da saúde se inscreverem? Profissionais de todos os locais onde estão os centros de pesquisa podem se inscrever?

Aqui no DF, esperamos incluir aproximadamente 850 participantes voluntários nos testes, sendo eles profissionais de saúde maiores de 18 anos, saudáveis e que não tenham sofrido infecção assintomática ou a doença causada pelo SARS-CoV-2. Estamos finalizando os preparativos para iniciar o estudo e em breve será anunciada a forma de cadastramento de possíveis candidatos a participar da pesquisa. Ainda não existe previsão da chegada da vacina a Brasília. Assim que tivermos novas informações, avisaremos a todos.

De acordo com informações divulgadas pelo governo do estado de São Paulo no Portal G1, o Instituto Butantan está adaptando uma fábrica para a produção da vacina. A capacidade de produção é de até 100 milhões de doses. O acordo com o laboratório chinês prevê que, se a vacina for efetiva, o Brasil ficará com 60 milhões de doses para distribuição.

A parceria entre o laboratório chinês e o Butantan foi anunciada no dia 11 de junho. Na ocasião, o governador João Doria disse que, se comprovada a eficácia e segurança da vacina, ela será disponibilizada no SUS a partir de junho de 2021. Esses novos testes da CoronaVac, serão feitos em larga escala e precisam fornecer uma avaliação definitiva da eficácia e segurança, isto é, a vacina precisa ser capaz de criar anticorpos para imunizar contra a Covid-19. Outra vacina que também está na terceira fase é a de Oxford, que será testada no Brasil pela Universidade Federal de São Paulo. Ela foi a primeira a receber autorização da Anvisa para os testes no país.

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