Farmacêutica coordena realização de testes de Covid-19 no Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica da UFPE

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Entre tantos exemplos de iniciativas bem sucedidas sob a condução e cuidado do farmacêutico, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) apresenta a experiência vivenciada pela professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Dra. Maira Galdino da Rocha Pitta. A farmacêutica é natural de Recife, capital pernambucana, e esteve envolvida na ampliação do acesso da população a exames para diagnóstico de Covid-19 durante o auge da crise sanitária que abalou ainda mais as estruturas econômicas, sociais e da saúde pública no Brasil.

Tudo ocorreu a partir do interesse apresentado pela gestão da UFPE, que promoveu uma reunião com colaboradores, docentes e pesquisadores, com o propósito de realizar um levantamento dos laboratórios da instituição com capacidade para atender a demanda de saúde reprimida na aplicação de testes para obtenção do diagnóstico. Para se adequar aos padrões exigidos a um laboratório de diagnóstico e receber a validação do Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN/PE), foi necessário realizar adaptações na infraestrutura do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica (NUPIT) da universidade. “Dentre tais adequações, podemos destacar a construção de salas de paramentação e desparamentação dos profissionais, comunicação interna entre as salas para passagem de amostras potencialmente infectadas e construção de um fluxo de entrada e saída nas salas”, relata a coordenadora.

As equipes envolvidas no processo de testagem receberam treinamento e capacitação para a realização de atividades e tarefas atreladas a aquisição dos insumos, de equipamentos, adequação da infraestrutura do laboratório para atender às normas específicas. “O NUPIT foi um dos laboratórios que respondeu à demanda e prontamente iniciou as atividades de elaboração dos planos de trabalho para os convênios que foram firmados e os projetos que foram aprovados, viabilizando a realização de todo o trabalho desenvolvido. Alguns integrantes da equipe participaram de um treinamento juntamente com a equipe do Instituto Aggeu Magalhães, o qual foi ofertado por profissionais do Laboratório Central de Pernambuco (LACEN/PE), responsáveis por treinar os demais membros da equipe no NUPIT”, explica.

Após todas as adequações de espaço físico e capacitação profissional, o NUPIT obteve certificação do LACEN/PE e pôde oferecer o teste RT-qPCR. Atualmente, a equipe do Núcleo de Pesquisa conta com a colaboração de 10 farmacêuticos. O grupo é formado por 61 membros, entre eles, professores, pós-docs, alunos de graduação, mestrado e doutorado. Visando minimizar os danos à saúde consequentes da infecção por Covid-19, a equipe também desenvolve pesquisas. “Buscamos identificar biomarcadores imunológicos do Covid-19, por meio da identificação de células e moléculas do sistema imunológico do indivíduo infectado pelo SARS-CoV-2. A partir dessa identificação, buscamos respostas para questões importantes, como a capacidade desses possíveis biomarcadores auxiliarem os médicos no manejo do paciente, se elas são capazes de prever complicações pulmonares no momento do diagnóstico e até mesmo se podem ser utilizadas para o diagnóstico da doença. Essas mesmas questões também são investigadas no contexto dos danos neurológicos que podem estar associados à doença”, afirma.

De acordo com dados da Universidade Federal de Pernambuco foram realizados 40.707 testes RT-qPCR até a presente data, sendo 19.783 na capital do estado, 15.747 em municípios do interior, 1.375 no Hospital das Clínicas da UFPE (pacientes pré-cirúrgicos e UTI neonatal), 591 pela equipe interna do NUPIT (como controle de biossegurança), 3.019 repetições e 192 outros. Os testes continuam sendo realizados no NUPIT, segundo local que mais realizou testes no estado de Pernambuco, e no LACEN, que ocupa a primeira posição. “O cenário das últimas semanas no Brasil em relação ao número de casos da Covid-19 estava apontando para uma redução, mostrando que o país conseguiu manter o controle da pandemia pelo maior período desde o seu início. No entanto, após 5 semanas com aparente controle da transmissão, os dados mostram que a taxa de transmissibilidade voltou apresentar resultado superior a 1, o que pode representar uma falha no controle da pandemia. Então, é fundamental a testagem da população”, alerta Maira.

O conselheiro federal de Farmácia pelo estado de Pernambuco, Arimatea Filho, avalia que o trabalho desempenhado pela UFPE, em conjunto com a professora Maira Galdino, impacta diretamente nos resultados da atenção à saúde da população. “A corrida pela testagem demandou muito dos farmacêuticos em laboratórios públicos, privados e estabelecimentos de saúde, entre outros. Todo o esforço e mobilização para ampliação da testagem da população foi e continua sendo necessário para manter a segurança em saúde. É com imenso prazer que prestigio o trabalho da professora Maira à frente do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica”, pondera o conselheiro.

“O papel do farmacêutico é bastante amplo. Existem mais de 135 especialidades. O farmacêutico é importantíssimo na saúde pública, pois atua em áreas que envolvem as farmácias municipais, estaduais e federais, os laboratórios de análises clínicas, hospitais públicos e filantrópicos, desenvolvimento de pesquisa, síntese e produção de medicamentos nos laboratórios oficiais, assistência farmacêutica, entre outros”, conclui Maira.

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