Farmacêutico é referência no diagnóstico do vírus Sars-CoV-2 no Sul da Bahia

Desde os primeiros casos relatados em Wuhan, China, em 2019, o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2) se espalhou rapidamente pelo mundo. Até agora, o Brasil já registrou mais de 26 milhões de infectados, e parte destes diagnósticos laboratoriais realizados foi em profissionais farmacêuticos que atuam na linha de frente, dentro dos laboratórios de análises clínicas. No Sul da Bahia, região que abrange a Costa do Descobrimento e Extremo Sul, um farmacêutico tornou-se referência com a utilização da técnica de RT-PCR no Laboratório Municipal de Referência Regional (LMRR- LACEN) atuando no Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade de Porto Seguro.

Para atender à grande demanda por exames, o diagnóstico laboratorial foi liderado pelo farmacêutico Dr. Juliano Oliveira Santana e o laboratório passou a descentralizar o serviço, que era realizado apenas em Salvador. As análises passaram a serem realizadas em Porto Seguro e atendia também municípios da região. Com essa nova estratégia, os resultados eram liberados em menos de 24 horas. Ele explica que trabalhar com a técnica de RT-PCR no início da pandemia não foi fácil, pois a maioria das reações eram manuais, como a extração do RNA, síntese do cDNA e amplificação do gene de interesse do vírus. O farmacêutico explica que essas técnicas foram lapidadas durante seu mestrado e doutorado, pois na graduação a biologia molecular como ferramenta de diagnóstico não é inserida nas grades curriculares. “Após o fim da primeira onda, as técnicas tornaram mais fácies com a utilização de cartuchos de pipetagem única com equipamentos importados dos EUA e China”.

O farmacêutico Juliano Santana

Este trabalho foi publicado na revista Experiências Exitosas de Farmacêuticos no Sistema Único de Saúde, do Conselho Federal de Farmácia, que teve como tema a atuação dos profissionais em período de pandemia. Dr. Juliano lembra que sua atuação diária e assídua no laboratório foi necessária, pois não existia outro profissional qualificado para executar a técnica de RT-PCR e que demanda de amostras era muito alta. Segundo ele, o diagnóstico, análises e a rápida liberação dos laudos serviram para intervenção imediata dos presidiários e casas de acolhimentos, pois esses locais estavam com surtos coletivos da Covid-19. “Em 8 meses de atuação, foram confirmados mais de dois mil casos de Covid-19 na região. Meu trabalho no laboratório de biologia molecular não estava apenas restrito ao coronavírus, também atuava concomitantemente no diagnóstico e monitoramento de pacientes com HIV e HCV, no qual utilizam a mesma técnica (RT-PCR) como método de diagnóstico”, explica.

A técnica de laboratório, Dinalda Bento dos Santos, 65 anos, foi uma das pacientes atendidas no laboratório pelo Dr. Juliano Santana. Em meio à pandemia, atuando na linha de frente em laboratório público, sentiu a necessidade de procurar o diagnóstico após sentir os primeiros sintomas. “Fiquei preocupada em está positiva e transmitir o vírus para meus colegas de trabalho, já que trabalhamos em ambientes fechados, e para meus familiares. Receber o laudo com agilidade foi primordial para meu isolamento” detalha a paciente.

Outra paciente de Porto Seguro atendida foi Renata Gudim Cancela, 41 anos. A funcionária pública contou que estava com manchas vermelhas pelo corpo e com dores musculares, realizou os testes para zika, dengue e chikungunya mas seus resultados foram negativos. “Quando realizei a coleta para o teste RT-PCR (Covid19), deu resultado positivo, imediatamente fui afastada das minhas funções. Outro ponto importante a ser mencionado, foi a minha carga viral elevada e essa informação constava como um adicional em meu laudo laboratorial, achei inovador”, conta.

O conselheiro federal de Farmácia pelo Estado da Bahia, Altamiro José dos Santos, reconhece que o trabalho de Dr. Juliano Oliveira Santana foi decisivo para ajudar na identificação de casos de Covid-19 em um momento crucial da pandemia. “O Dr. Juliano fez um trabalho importantíssimo no interior da Bahia. Naquele momento, a forma de evitar a propagação da Covid era apenas o diagnóstico. Nós não tínhamos ainda as vacinas e os laboratórios tiveram um papel essencial. A Bahia é um estado grande e precisava ter ações descentralizadas porque a pandemia estava localizada em todas as regiões do estado e, na região onde ele atua, nós o tivemos em um papel de destaque, como ele revela neste trabalho”, cometa.

A história completa do farmacêutico Dr. Juliano Oliveira Santana no laboratório está na última edição da revista Experiências Exitosas de Farmacêuticos no SUS.