Farmacêuticos da UFRN produzem álcool líquido e em gel para a população

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A união de professores, estudantes de graduação e pós-graduação, centro acadêmico e servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) possibilitou a produção de álcool líquido e em gel a 70% para a população daquele estado. Organizados em três frentes de trabalho, eles já conseguiram produzir e distribuir em torno de 5.300 litros de álcool líquido e 150 kg de álcool em gel para o combate ao coronavírus.

A força-tarefa é coordenada em equipe, pelos farmacêuticos professores do curso de Farmácia da UFRN, Waldenice Morais, Márcio Ferrari, Cícero Aragão, Silvana Zucolotto e Túlio Moura (chefe do Departamento de Farmácia – DFAR), e conta com a participação do conselheiro federal suplente pelo Rio Grande do Norte e também professor do DFAR, Jairo Sotero, e o apoio do Centro de Ciências da Saúde da universidade, sob direção do professor Antônio Costa.

O trabalho começou no início da pandemia, quando a alta procura pelo álcool líquido e em gel a 70% provocou a escassez desses produtos para a população em todo o país. No Rio Grande no Norte não foi diferente, mas a proatividade desses farmacêuticos minimizou impactos da falta desse importante instrumento de proteção à Covid-19.

A professora Waldenice recorda o que motivou toda a equipe envolvida a ter essa iniciativa. “A demanda de produção de álcool líquido e álcool em gel surgiu por iniciativa da equipe de professores da área da saúde, farmacêuticos, que sentiu necessidade de atuar ativamente para ajudar a sociedade e desenvolver o nosso papel social como Universidade Pública”.

Waldenice coordena o projeto de extensão universitária Impactos do Cuidado Farmacêutico aplicado em Serviços de Saúde e, ao notar a necessidade enfrentada com a falta desses produtos, deu o primeiro passo: “Então, pensando nesse projeto de extensão, na expertise que nós tínhamos e na humanização que desejávamos fazer com essas ações para enfrentamento da pandemia, nós fizemos uma solicitação formal e eu, pessoalmente, fui levar essa solicitação na Vigilância Sanitária Municipal”.

A solicitação foi feita no dia 18 de março de 2020 e, após vistoria da infraestrutura laboratorial e dos procedimentos operacionais padrão, poucos dias depois, foi concedido o parecer favorável para um alvará provisório de produção, envasamento e rotulagem dos produtos essenciais. “Os laboratórios envolvidos foram o LEFI (Lab. de Farmácia Industrial), LACOS (Lab. de Cosméticos), LAFAP (Lab. de Farmacotécnica Aplicada) e o Laboratório de Controle de Qualidade da Faculdade de Farmácia, com total apoio da Chefia do DFAR”.

A equipe contou com o apoio de pelo menos 13 professores, 30 alunos de graduação e pós-graduação, que se envolveram na produção e controle de qualidade da matéria prima e produto acabado, com apoio de seis servidores técnicos de laboratório. Nos períodos mais críticos da falta dos produtos, foi feito rodízio de atividades – de forma que eles pudessem resguardar as normas de biossegurança – para garantir a produção dos produtos destinados, em forma de doação, ao atendimento de demandas do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital e muitos municípios do estado, além da própria universidade.

Os insumos, as embalagens e os rótulos para a produção e distribuição foram viabilizados por meio de doações ou parcerias com as secretarias Municipal e Estadual de Saúde e com a iniciativa privada, dentre os quais, uma delas possibilitou o recebimento de 200 kg de uma base pronta para produção de álcool em gel, de uma indústria sediada em São Paulo, com logística de transporte feita em bombonas de 50 kg, pelos Correios, após negociação viabilizada pelo professor Jairo Sotero, numa taxa diferenciada para o momento de pandemia.

Tudo isso passou pelo crivo do Laboratório Central de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (LACEN/RN), para que fossem seguidas as recomendações de produção e de rotulagem da forma adequada. “Recebíamos a doação dos insumos, entrávamos com a etapa da diluição com água purificada, transformávamos esse álcool em álcool a 70% líquido ou em gel, ou simplesmente fracionávamos em volumes menores o álcool líquido, e em ambos os casos, fazíamos o nosso controle de qualidade interno e de forma externa com o LACEN”.

O professor Jairo Sotero disse que todo esse trabalho foi possível graças a proatividade de todos os envolvidos e das parcerias que foram estabelecidas. “Nos sentimos muito orgulhosos por termos conseguido ajudar, por termos conseguido fazer parcerias com as secretarias municipais, com a iniciativa privada e a contribuição essencial do CRF-RN, na figura do presidente Sales de Araújo Guedes, em prol de um bem maior, que é a saúde da população, nesse momento tão difícil que estamos passando. Também foi fundamental a dedicação voluntária dos estudantes para que conseguíssemos encarar esse desafio, seguindo todos os protocolos de biossegurança necessários para a garantia de que esses produtos cumpram sua função antisséptica contra o coronavírus”.

Autor: Murilo Caldas

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