Farmacêuticos da UFSJ fazem testes da Covid-19

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Os farmacêuticos Leilismara Sousa, Cristina Sanches e Willian Alves Bueno fazem parte do laboratório

A população de mais de 50 municípios da região centro-oeste de Minas Gerais já foi atendida pelo laboratório da Universidade Federal São João del-Rey (UFSJ). O laboratório é um dos 19 credenciados no Estado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) para fazer parte da RedeLab Covid-19, por ter sido considerado apto a realizar diagnóstico para identificação do coronavírus. O método utilizado para a realização dos exames é o RT-PCR, que identifica o material genético, no caso, o RNA do vírus presente em amostras como saliva e secreção nasal.

A farmacêutica Cristina Sanches, Doutora em Fármacos e Medicamentos pela Universidade de São Paulo (USP), faz parte da equipe que atua no laboratório da UFSJ e diz que a rotina dos pesquisadores – a maioria professores e alunos de graduação e de pós-graduação na área da Farmácia – é, basicamente, receber as amostras, fazer a extração do conteúdo genético, analisar as amostras por meio da técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR) e liberar os resultados.

Cristina explica que a formação em Farmácia faz toda diferença para lidar com os desafios. “A gente tem vários farmacêuticos atuando, a grande maioria tem essa formação, e isso faz toda diferença na análise e liberação do resultado e tudo mais. Alguns problemas que a gente encontra, na rotina, é a questão do tempo de coleta, porque nós temos uma janela em que eu tenho maior quantidade de vírus, então é mais provável a determinação dele, que é a fase aguda. Então, entre os 3º e 7º dia, a partir dos sintomas, são os melhores dias da nossa janela. A gente estende isso até o 10º dia, mas nos casos em que eu tenho coleta a partir daí – a gente já teve coletas de 30 dias depois do primeiro sintoma, de 15 dias – esses casos, a gente analisa caso a caso, para ver a possibilidade ou não de realizar o teste”.

Depois de processadas e feitas as extrações do RNA, as amostras são encaminhadas para que seja feita a reação em cadeia da polimerase. Em seguida, são lançados e liberados os resultados a serem entregues aos pacientes. “Isso é muito satisfatório para todo mundo que está trabalhando. Ver os meninos aprendendo, a população sendo atendida é o nosso retorno social acontecendo. Então, eu tenho muito orgulho de poder fazer parte desse oportunidade, de demostrar para a sociedade que a universidade está aqui para dar o retorno, que a pesquisa é super importante, que a gente tem aparatos tecnológicos dentro da universidade e, nos momentos que são necessários, eles são revertidos sim, rapidamente, para sociedade”.

Essa relação entre universidade e comunidade também foi lembrada pelo conselheiro federal de Farmácia por MG, professor Gerson Pianetti, que destacou o fato de o projeto ter unido pesquisa científica e extensão universitária. “No momento em que todos lutamos contra a propagação do vírus e pela busca de uma cura e de uma vacina, nossos colegas farmacêuticos da UFSJ nos mostram que estão comprometidos com a saúde da população. Além de prestarem um importante serviço às pessoas, por meio do diagnóstico, eles estão gerando conhecimento científico, em busca respostas para solucionar problemas reais da nossa sociedade, como a pandemia”.

O farmacêutico Leandro Augusto de Oliveira Barbosa, Doutor em Química Biológica pala Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ) e vice coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da UFSJ, explica que a parceria com o setor público reduziu o tempo de entrega dos resultados para a população. “O que acontecia antes era que todos os municípios de MG, mandavam todos os exames para a Fundação Ezequiel Dias. Então, havia uma sobrecarga de exames que demorava muito tempo para se fazer. O Estado organizou essa rede por regiões para que esses Laboratórios fossem normatizados em relação às normas de segurança de boas práticas das Análises Clínicas, para que fosse capacitado a receber essas amostras. E isso, com certeza, agilizou muito o processo. Enquanto que na Fundação, o pessoal mandava para lá e demorava em torno de 14 dias para receber o resultado, de 7 a 14 dias, aqui a gente dava o resultado em dois dias. Então, isso funcionou muito bem e foi uma parceria muito exitosa. A gente conseguiu, realmente, ter a expertise da universidade, a estrutura física, técnica, já montada e os profissionais já capacitados e disponíveis, nesse momento, prestando esse serviço e dando o apoio que o SUS precisa”.

Os farmacêuticos Leilismara Sousa Nogueira e Willian Alves Bueno também fazem parte do laboratório que recebeu o credenciamento da Funed por comprovar o atendimento aos requisitos da RDC da Anvisa nº 302, de 2005, nível de biossegurança NB2 e capacidade técnica e operacional para executar exames de RT-PCR em tempo real.

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