Farmacêuticos e estudantes de Farmácia unem forças para ajudar ao próximo

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‘O objetivo principal do grupo é ajudar as pessoas em situação de rua e promover a sensibilização dos estudantes de Farmácia para que eles possam enxergar o que existe fora dos muros da faculdade possibilitando um olhar humanizado’

Ajudar pessoas ‘invisíveis’ perante os olhos da sociedade é a ação que vem mobilizando o grupo Farmácia Para o Bem composto por docentes, farmacêuticos, estudantes de Farmácia e voluntários, na região metropolitana do Recife (RMR). As ações de rua de caráter social surgiram a partir de 05/06/2016, data em que a comunidade realizou o primeiro café da manhã para pessoas em situação de rua.

Pensando em garantir a segurança dos membros do grupo, as ações são realizadas, na grande maioria das vezes, durante o período da manhã, por ser um horário acessível a todos os participantes e menos perigoso de transitar em locais da capital Pernambucana. “As ações são realizadas em diversos pontos estratégicos da Região Metropolitana do Recife de acordo com a orientação de outros grupos que prestam este serviço a mais tempo. Isso, para garantir a integridade de todos os integrantes do Farmácia Para o Bem, pois há, em alguns pontos, a predominância das drogas o que acaba sendo perigoso para todos os membros. Então, atentamos para essas situações que envolvem a segurança dos colaboradores”, esclarece a Dra. em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Andréa Apolinário.

A essência do projeto está em disponibilizar café da manhã a cada quinze dias a pessoas em vulnerabilidade social. Entretanto, o grupo já realizou diversas ações de rua com a participação de estudantes e em parceria com o Conselho Regional de Farmácia de Pernambuco (CRF-PE), como explica Andréa Apolinário, coordenadora do curso de Farmácia do Centro Estácio, em Recife. “Nas ações em conjunto ao CRF-PE prestamos o serviço de aferição de pressão arterial e glicemia capilar, orientação sobre os riscos da automedicação, a questão de prevenção das arboviroses, entre outros”, afirma.

O objetivo principal do grupo é ajudar as pessoas em situação de rua e promover a sensibilização dos estudantes de Farmácia para que eles possam enxergar o que existe fora dos muros da faculdade possibilitando um olhar humanizado. O grupo conta com a colaboração de aproximadamente 50 membros e não é vinculado a nenhuma instituição educacional, religiosa ou política, sendo totalmente independente. “A participação dos colaboradores ocorre de forma sazonal. Muitas vezes quando um determinado integrante não está presente, certamente colaborou com uma ajuda de custo, pois como falei anteriormente, somos independentes e não contamos com financiamento de entidade, instituição ou órgão”, pondera a farmacêutica.

O termo ‘comunidade’ é dado a grupos que promovem ações solidárias como é feito há quatro anos pelo Farmácia Para o Bem. “As pessoas em situação de rua falam que nós somos a melhor comunidade porque fornecemos alimentos de primeira qualidade. Todo o café da manhã distribuído é preparado na noite da véspera da ação para não haver risco de estragar. Os cardápios são os mais variados contemplando, pão e queijo mussarela, café, sucos, água mineral, bolo, cuscuz com salsicha ou carne moída, mungunzá e outras comidas”, aponta Andréa.

Ações em contexto de pandemia do Coronavírus (Covid-19)

Mesmo antes do surgimento da pandemia causada pelo novo Coronavírus o grupo já utilizava alguns equipamentos de proteção individual como luvas e toucas. Porém, diante da pandemia o grupo reduziu as ações de rua por não poder formar aglomerações. Mas juntou forças a outros grupos que prestam o mesmo tipo de serviço para continuar colaborando com as pessoas em vulnerabilidade. “Arrecadamos água e vários outros mantimentos para que fossem disponibilizados no centro do Recife. Mesmo diante desta pandemia e com todas as limitações, a cada quinze dias continuamos com nossa mobilização só que de forma diferente, montamos 50 marmitas e saímos distribuindo nos semáforos as pessoas de que necessitam. Também nos mobilizamos e distribuímos 1.000 máscaras de tecido em comunidades carentes”, esclarece.

Vale ressaltar que mesmo diante de restrições por conta da situação delicada em decorrência da Covid-19, algumas ações pontuais ainda estão sendo realizadas. “Nesse contexto de pandemia estamos usando máscaras de tecido, as meninas usam toucas e também andamos com álcool gel para garantir a higienização da equipe e pessoas que recebem as refeições e máscaras. No mês de maio demos uma parada por conta do lockdown que nos impediu de continuar o trabalho”.

“Essas ações trazem uma visão totalmente diferente aos estudantes de Farmácia e aos Farmacêuticos quanto às necessidades dos seus semelhantes que muitas vezes são invisíveis para sociedade. Fazendo os participantes enxergarem que as pessoas em situação de rua tem uma história por trás de sua condição, são seres humanos, cidadãos brasileiros. Não somos juízes e sim farmacêuticos e estamos aqui para ajudar praticando o bem”, conclui a farmacêutica Andréa Apolinário.

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