Farmácia hospitalar adota atendimento farmacoterapêutico remoto

Medida foi tomada para proteger farmacêuticos que monitoram uso de medicamentos por pacientes com Covid-19

A pandemia da Covid-19 trouxe uma série de mudanças na vida das pessoas. Pode-se dizer que rotina dos profissionais da saúde, principalmente aqueles que estão na linha de frente, foi a mais afetada. Na área hospitalar, onde muitas vezes, o farmacêutico precisa lidar diretamente com o paciente, alguns hospitais adotaram o acompanhamento farmacoterapêutico remoto. É o que relata a farmacêutica carioca Alice Ramos Oliveira, que trabalha na Rede D’or de hospitais. Por segurança, ela passou a atuar a partir de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que não atende pacientes com coronavírus, de onde presta atendimento à distância aos pacientes da UTI exclusiva para o tratamento da Covid-19.

A farmacêutica, que tem especialização em Farmácia Hospitalar e Clínica e atualmente faz mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trabalha no Hospital Barra D’or das 7h às 19h, numa escala (12h por 36h) que reveza com outra colega de profissão. Ela explica que antes o farmacêutico passava pessoalmente pelos leitos dos pacientes, mas agora essas visitas não são mais necessárias. “Nessas unidades restritas a pacientes com Covid, o acompanhamento farmacoterapêutico é feito de maneira remota. A gente fica numa farmácia ou numa UTI não Covid, e nestes postos, a gente lê o prontuário eletrônico, acompanha a evolução médica. Analisa tudo sobre o paciente, avalia a prescrição, liga para o médico ou manda um Whatsapp, e faz a intervenção por telefone mesmo”.

Sob orientação da farmacêutica, a farmácia hospitalar manipula o medicamento em doses individualizadas, que são encaminhados à UTI de Covid, por meio de uma antecâmara de segurança, na qual o enfermeiro se desparamenta, recebe os medicamentos, e os leva para a UTI de Covid. “Geralmente, quando há devoluções, elas também passam por desinfecção com álcool 70% antes de voltarem à farmácia. Mas, em geral, a gente não tem devoluções do setor de Covid, por que a gente confirma todas as medicações desse setor. E, quando algum medicamento é suspenso, para evitar contato, esses medicamentos são descartados lá mesmo”.

Alice explica que para atender de forma remota, foi necessário adequar vários protocolos institucionais para pacientes com Covid-19 e, como a farmácia participa ativamente do gerenciamento do protocolo de Profilaxia para Trombose Venosa (TEV), este foi o primeiro que teve de ser adaptado. “A gente tinha um protocolo institucionalizado e tivemos que fazer um novo protocolo de TEV para paciente com Covid e sem Covid, assim como se observou em várias partes do mundo”. Isso porque, de acordo com a farmacêutica, todo paciente hospitalizado tem algum risco de desenvolver trombose venosa, mas o paciente que permanece por mais tempo acamado, por conta de alguma infecção, tem esse risco ampliado.

Quando os pacientes recebem alta hospitalar, continuam tendo orientações farmacêuticas, também de forma remota, sobre o uso correto, seguro e racional dos medicamentos em casa, para se evitar efeitos adversos.