Identificar os pacientes

O espectro clínico da infecção do novo coronavírus é amplo. Varia de um simples resfriado até pneumonia e outros desfechos graves. O quadro clínico inicial é caracterizado como síndrome gripal e pode evoluir para elevação da temperatura que persiste por 3 a 4 dias.

A mortalidade entre os pacientes hospitalizados variou entre 11 e 15%, sobretudo em idosos, portadores de hipertensão, diabetes, coronariopatia e coagulopatias (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2020). A intensidade e frequência dos sintomas auxilia na determinação do cuidado a ser prestado.

Ao identificar algum paciente sintomático, o atendimento clínico deverá ocorrer em “área isolada da farmácia” que propicie privacidade e proteção aos demais usuários e profissionais que atuam no estabelecimento. As atividades iniciais deste atendimento estão descritas abaixo, conforme sequência de execução.

Analisar o risco de contato com caso de COVID-19:

a) Viajante: pessoa que, nos últimos 14 dias, retornou de viagem internacional de qualquer país.

b) Contato próximo ou contato domiciliar: pessoa que, nos últimos 14 dias, teve contato próximo de caso suspeito ou caso confirmado para COVID-19.

Medir a temperatura e avaliar outros sinais e sintomas (MS, BOLETIM 05, 14/03/2020) (https://bit.ly/2x0gEd3)

– Presença de febre: encaminhar paciente para área da farmácia destinada ao atendimento de COVID-19 e acionar o farmacêutico que analisará também:

● presença de outros sinais e sintomas de infecção: Os principais sintomas febre (83%), tosse (82%), falta de ar (31%), dor muscular (11%), confusão (9%), dor de cabeça (8%), dor de garganta (5%), rinorréia (4%), dor no peito (2%),dificuldade para respirar, congestão nasal ou conjuntival, fadiga, mialgia/artralgia, calafrios, dificuldade para deglutir, diarréia (2%), náusea e vômito (1%), desidratação e inapetência.

● sinais de alerta para complicações como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) (17-29%), lesão cardíaca aguda (12%), pneumonia e infecção secundária (10%): saturação de O2 < 95%, sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal e dispneia, gânglios linfáticos aumentados, recrudescência da febre, taquicardia, taquipnéia, dispnéia (dificuldade de respirar), dor pleurítica, fadiga ou alterações no estado mental (confusão ou letargia).

Febre: temperatura acima de 37,8°. Considerar a febre relatada pelo paciente, mesmo não mensurada. Definição válida para todos os tipos de caso e contatos.

Atenção: Febre pode não estar presente em alguns casos como, por exemplo, em pacientes jovens, idosos, imunossuprimidos ou que em algumas situações possam ter utilizado medicamento antipirético. Nestas situações, a avaliação clínica deve ser levada em consideração e a decisão deve ser registrada na ficha de notificação.

– Ausência de febre e presença de sinais e sintomas respiratórios: encaminhar paciente para área da farmácia destinada ao atendimento de COVID-19 e acionar o farmacêutico que analisará a presença de:

presença de outros sinais e sintomas de infecção: Os principais sintomas são febre (83%), tosse (82%), falta de ar (31%), dor muscular (11%), confusão (9%), dor de cabeça (8%), dor de garganta (5%), rinorréia (4%), dor no peito (2%),dificuldade para respirar, congestão nasal ou conjuntival, fadiga, mialgia/artralgia, calafrios, dificuldade para deglutir, diarréia (2%) e náusea e vômito (1%), desidratação e inapetência.

sinais de alerta para complicações como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) (17-29%), lesão cardíaca aguda (12%), pneumonia e infecção secundária (10%): saturação de O2< 95%, sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal e dispneia, gânglios linfáticos aumentados, recrudescência da febre, taquicardia, taquipnéia, dispnéia (dificuldade de respirar), dor pleurítica, fadiga ou alterações no estado mental (confusão ou letargia).

– Ausência de febre e de sinais e sintomas respiratórios: dispensar os medicamentos ou outros produtos para a saúde e encaminhar o paciente para casa.

Independente dos sinais e sintomas, todos os pacientes precisam ser orientados sobre medidas de etiqueta respiratória e de higiene, bem como o descarte de resíduos provenientes. O farmacêutico poderá distribuir material educativo ou vídeo para os pacientes, produzidos por fontes confiáveis, como o Ministério da Saúde.

Realizar testes de rastreamento nos casos sintomáticos especialmente na presença de febre

Análise de fatores associados à maior letalidade

Os fatores associados à manifestação grave ainda não estão totalmente claros. Contudo, pacientes idosos, com comorbidades como diabetes, hipertensão, doença coronariana, neoplasias, coagulopatias e imunossupressão possam estar sob maior risco (AMB 2020; FIP 2020, MS 2020).

Em área com transmissão local ou comunitária, deve ser recomendado às pessoas maiores de 60 anos e aos doentes crônicos a restrição de contato social (viagens, cinema, shoppings, shows e locais com aglomeração) e vacinar-se contra influenza

Transmissão local: ocorrência de caso autóctone com vínculo epidemiológico a um caso confirmado identificado.

Transmissão comunitária: ocorrência de casos autóctones sem vínculo epidemiológico a um caso confirmado, em área definida, OU se for identificado um resultado laboratorial positivo sem relação com outros casos na iniciativa privada ou na rotina de vigilância de doenças respiratórias ( ver quadro) OU a transmissão se mantiver por 5 (cinco) ou mais

Direcione o cuidado do paciente conforme resultados da avaliação do paciente

O farmacêutico e as farmácias, como integrantes da rede de Atenção à Saúde, devem auxiliar no matriciamento dos indivíduos que acessam as farmácias comunitárias, públicas e privadas, colaborando com a identificação de casos (https://bit.ly/2IX6ooJ), bem como acompanhando a evolução clínica de contato próximo de casos confirmados e casos com manifestação leve, cuja recomendação é isolamento domiciliar e tratamento ambulatorial na APS.

A tomada de decisão do farmacêutico pode envolver:

● encaminhar para serviços de urgência/emergência;

● encaminhar para a atenção primária em saúde (UBS, consultórios médicos);

● prescrever medidas de isolamento e contenção, no seu âmbito de atuação;

● acompanhar os pacientes em isolamento domiciliar e a evolução dos suspeitos e confirmados, com quadro sintomatológico leve. Esta atuação visa contribuir para a otimização do funcionamento dos serviços de maior complexidade, reduzindo a sobrecarga no restante do sistema, bem como minimizando situações em que o contágio pode ser favorecido por elevado contingente de contaminados.

Recomenda-se que os pacientes com sintomatologia leve, em isolamento domiciliar, sejam reavaliados pelo farmacêutico a cada 5 dias. Adicionalmente, alertá-los para a possibilidade de piora tardia do quadro clínico e necessidade de retorno antes disso para reavaliação.