Laboratório da Universidade Federal de Ouro Preto foi adaptado para realizar exames de Covid-19

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Em meados de abril deste ano, a rotina do Laboratório de Imunopatologia do Núcleo de Pesquisas em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em Minas Gerais, foi completamente alterada em função da pandemia causada pelo vírus Sars-Cov-2. A unidade de pesquisa foi redirecionada e adaptada para exercer a função de um laboratório clínico, com a participação voluntária de professores, técnicos administrativos e alguns estudantes de doutorado e pós-doutores dos programas de pós-graduação da Universidade. “Nossa equipe é constituída por 21 pessoas, das quais 15 são farmacêuticos e 6 são biólogos, formalmente vinculados  à Universidade Federal de Ouro Preto”, esclarece a farmacêutica Profa. Dra. Cláudia Martins Carneiro, ex-aluna, atual professora de Citologia Clínica na Escola de Farmácia da UFOP e responsável técnica do laboratório.
A mudança foi iniciada para atender a uma chamada pública realizada pelo Laboratório Central do Estado (LACEN/Minas), Funed, associado a Secretaria Estadual de Saúde de MG, no sentido de credenciar laboratórios que tivessem expertise, equipamentos e espaço físico para realizar diagnóstico molecular do novo coronavírus. “Como dispúnhamos, no nosso laboratório, de todos os equipamentos necessários e tínhamos massa crítica na Instituição, nos candidatamos. Para isso, foi preciso criar o híbrido de laboratório clínico e laboratório de pesquisa. Nós fomos prontamente auxiliados pelo Conselho Regional de Farmácia (CRF/MG),  providenciando a documentação necessária para que o laboratório atuasse na pandemia”. Além disso, a unidade passou por vistoria por parte da vigilância sanitária para obter o alvará sanitário de funcionamento. E foi necessário, ainda, o cumprimento de todas as questões relacionadas a laboratórios do tipo NB2.
Após o recrutamento da equipe de voluntários, foi iniciado o treinamento e todos os exames realizados no laboratório da UFOP foram vinculados aos municípios de Ouro Preto, Mariana e à Regional de Saúde de Barbacena, que engloba outros 31 municípios. “Somos todos voluntários. Nenhum de nós foi contratado para isso. E temos atuado desde março em todas essas questões providenciando a documentação necessária ao funcionamento do Laboratório, mas, oficialmente, depois de passarmos por um período de validação pelo LACEN-Minas, nós iniciamos nossas as atividades de diagnóstico no dia 14 de julho, após recebermos os insumos da Secretaria Estadual de Saúde”.
Testes
“As amostras recebidas no laboratório passavam por uma conferência antes do início do processamento. Posteriormente, era realizada a inativação e extração, seguido pela PCR. A partir daí, o resultado era emitido via GAL (Gerenciador de Ambiente Laboratorial), como detectável, não detectável ou inconclusivo, sendo acessado diretamente pelos municípios, on line. Foram realizados aproximadamente 4 mil exames entre 14 de julho e 30 de outubro, quando as atividades foram suspensas devido ao término dos insumos cedidos pelo estado.” explicou a Profa. Cláudia Carneiro.
A professora Cláudia Martins Carneiro mencionou que o momento atual da pandemia está muito complicado. “Creio que, infelizmente, nosso laboratório deixou de atuar em um momento crucial. Temos visto o que está acontecendo na Europa, nos Estados Unidos e o Brasil está caminhando para um desfecho parecido  e, infelizmente, no momento, nós estamos com as atividades suspensas por falta de insumos.
O Conselheiro Federal de Farmácia pelo estado de Minas Gerais, Gerson Pianetti, demonstra preocupação com essa  falta de insumos para execução de um trabalho vital para os brasileiros. “Em um momento crucial como o que estamos vivenciando isso significa um problema, em especial, para a população mineira. A qualidade dos serviços prestados pelo laboratório da UFOP tem reconhecimento nacional e está sob a orientação de uma profissional competente e preparada para o tipo de exame que vinha sendo realizado. A falta de planejamento leva à problemas dessa natureza que não deveriam mais existir e, ainda que denota um completo desinteresse pela saúde pública. É dever da sociedade, sua principal beneficiária,  lutar pela reversão desse quadro”, lamenta.

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