NOTA TÉCNICA – Sobre a não detecção do SARS CoV 2 por RT PCR em pacientes com COVID-19

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Um único resultado não detectado para SARS CoV 2 não exclui o diagnóstico da COVID 19

Vários fatores como coleta inadequada da amostra, tipo de amostra biológica, tempo decorrido entre a coleta e o início dos sintomas, e oscilação da carga viral podem influenciar o resultado do exame. Sempre que houver discordância com o quadro clínico epidemiológico, o exame de RT PCR deve ser repetido em outra amostra do trato respiratório.

A sensibilidade de diferentes amostras biológicas para detecção do SARS CoV2 varia. Um estudo que avaliou 1070 amostras de 250 pacientes com COVID 19, observou os seguintes valores de sensibilidade para as diferentes amostras testadas por RT PCR: lavado broncoalvelolar 93%, escarro 72%, swab nasal 63%, swab de orofaringe 32%, fezes 29%, sangue 1% e urina 0% (JAMA. 2020 Mar 11, doi: 10.1001/jama.2020.3786).

Como o intervalo de tempo para o pico dos níveis virais na COVID 19 ainda é desconhecido, o tempo ótimo para a coleta das amostras biológicas para o diagnóstico da infecção não foi estabelecido. Um estudo chinês descreveu que 3,0% de 167 pacientes com evidência de COVID 19 na tomografia de tórax inicialmente apresentaram RT PCR negativa. Posteriormente, o swab de todos os pacientes converteu a positivo, em um intervalo médio de 5,0 2,7 (Xingzhi Xie et al. Radiology)
Por fim, um estudo publicado com uma série de casos demonstrou que a carga viral de pacientes nos quais foram realizadas múltiplas coletas de swab de orofaringe e nasofaringe oscila ao longo do tempo. Um mesmo paciente pode apresentar o vírus detectado na amostra coletada em um dia e não detectado em amostra coletada em outro dia (N Engl J Med, 382 12, 1177 1179).

Portanto, eventualmente a coleta de múltiplas amostras, de locais e tempo diferentes durante a evolução da doença, pode ser necessária para o diagnóstico da COVID 19.

Importante lembrar que o teste avalia a presença de RNA viral na amostra. A persistência do exame positivo não significa necessariamente que o paciente ainda está infectado. O período que os pacientes permanecem infectantes ainda não está totalmente esclarecido e a utilização dos testes para liberação do paciente do isolamento respiratório deve ser avaliada criteriosamente pelos motivos acima descritos.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANÁLISES CLÍNICA – SBAC
27 de março de 2020

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