Residentes em Saúde da Família na Atenção Primária do DF

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Em meio à pandemia da Sars-CoV-2, os farmacêuticos residentes continuam em ação priorizando medidas sanitárias e de segurança do trabalho visando garantir a saúde e bem estar dos pacientes. “Os farmacêuticos R1 estão atuando em três UBS. Nestas unidades foi adotado o protocolo de Fast Track do Ministério da Saúde e foram criadas tendas de acolhimento para consulta de sintomáticos respiratórios. Os farmacêuticos têm auxiliado na receptividade dos pacientes, tanto de demandas espontâneas quanto agendadas, na logística de distribuição de Equipamentos de Proteção Individual e de medicamentos, testagem para detecção de Sars-Cov2, tanto RT-PCR quanto sorológicos, além de acompanhar casos que estão sob supervisão da UBS. Já os R2 estão atuando na gestão, auxiliando na construção de Notas Técnicas que orientam os profissionais de todas as UBS do DF e no acompanhamento dos afastamentos de servidores”, explica o farmacêutico, mestre em Saúde Coletiva e coordenador do Programa de Residência em Saúde da Família, Rafael Cardinali Rodrigues.

A Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade segue o padrão normativo da Comissão Nacional de Residência do MEC. Qualquer farmacêutico devidamente registrado no Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal pode participar do processo seletivo para ingresso na residência. Trata-se de uma especialização Lato Sensu e requer o cumprimeto de 5.760 horas em dois anos, sendo 80% atividades práticas e teórico-práticas e 20% atividades teóricas. A carga horária semanal é de 60 horas e implica um regime de dedicação exclusiva.

Atualmente o programa contempla dez categorias, entre elas: enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, odontologia, psicologia, saúde coletiva, serviço social e terapia ocupacional. Rafael Rodrigues descreve que o farmacêutico é inserido em equipe multiprofissional. “Desde o primeiro dia é convidado a atuar nas rotinas do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB) e das farmácias ambulatoriais da atenção básica do DF. No primeiro ano da residência ele atua na assistência aos pacientes e desenvolve competências para atuar no cuidado farmacêutico tanto com técnicas técnico-pedagógicas quanto clínico-assistenciais, sempre considerando o método clínico centrado na pessoa, na família e na comunidade. No segundo ano, além de aprofundar em conceitos farmacêuticos, considerando o núcleo de conhecimento, o farmacêutico é convidado a aprofundar em conceitos de gestão em saúde pública. São estudados conceitos como sala de situação, monitoramento, princípios de epidemiologia e de gestão que potencializam a ação do farmacêutico em seu território”, pondera.

O programa existe desde 2016, porém, a partir de 2018, aderiu o molde atual de atividades. Atualmente são ofertadas 30 vagas anuais, apenas três para farmacêuticos. Ao todo o programa já certificou mais de 40 profissionais e está com previsão de certificar outros 55 até março de 2022. Os residentes aprendem, na prática, que o sucesso do tratamento medicamentoso não está apenas na garantia de acesso e qualidade do medicamento, mas em uma visão abrangente, a qual transparece da equipe que identifica corretamente o problema de saúde, orienta e prescreve um tratamento adequado, e também no usuário que possui autonomia de aderir ou não ao tratamento. Desta forma, o residente descobre a complexidade de ser farmacêutico e aprende ferramentas para adequar a correta prescrição e a adesão do paciente, pois normalmente os medicamentos são a forma mais prescrita de tratamento.

O conselheiro federal de Farmácia pelo Distrito Federal, Forland Oliveira, reconhece a necessidade e importância do Programa de Residência Multiprofissional. “É uma maneira de capacitar ainda mais o farmacêutico, potencializar o saber e as práticas para beneficiar a população que necessita de cuidado e atenção. Quanto maior o número de farmacêuticos especializados e envolvidos no processo melhor será para o usuário assistido pelo Sistema Único de Saúde”, reitera.

“A residência impacta positivamente em diversas esferas do serviço. A primeira diz respeito ao paciente, que passa a ter melhor controle das doenças principalmente às crônicas não transmissíveis, e daqui vem grande impacto na saúde pública como um todo. A segunda, diz respeito ao cenário e preceptor, que recebe o residente, pois se qualifica em práticas modernas de gestão de saúde como um todo. A terceira é o SUS, que passa a contar com um profissional qualificado e já capacitado para ingressar no serviço público detentor de conhecimentos técnicos atuais e das políticas públicas em que será inserido e por último, mas pode ser que tenha me esquecido de alguma outra esfera, a comunidade como um todo que tem seu imposto sendo revertido em serviço de qualidade nas UBS”, conclui Rafael Rodrigues.

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