Serviço de teleconsulta farmacêutica para pessoas com diabetes mellitus ganhou força durante a pandemia

A articulação de farmacêuticos de Fortaleza para enfrentar o período de pandemia da Covid-19 resultou na “Implementação do serviço de teleconsulta farmacêutica para pessoas com diabetes mellitus: foco no autocuidado apoiado”. E o relato dessa experiência foi encaminhado para a revista Experiências Exitosas de Farmacêuticos no SUS, do Conselho Federal de Farmácia (CFF). O projeto de acompanhamento, por telefone, com um farmacêutico da Central de Medicamentos dos Terminais de Ônibus (CDMT) do município de Fortaleza envolveu uma população com diabetes mellitus tipo 2 que apresentava hemoglobina glicada ≥ 9,0%. A experiência considerou que esses pacientes requerem, além dos cuidados médicos contínuos, com estratégias multifatoriais de redução de risco, a aproximação de profissionais de saúde capacitados para o apoio ao autocuidado, mesmo que de forma remota.

Um dos primeiros passos do projeto foi a elaboração de um formulário para acompanhamento de pessoas com DM de forma remota, facilitando a identificação de indicadores de processo e de resultados clínicos no contexto do autocuidado apoiado. A farmacêutica Nívia Tavares Pessoa, uma das autoras do trabalho, explica que o período de isolamento social e de grande demanda pelos serviços de saúde, após a explosão de casos de covid-19, dificultou a realização e o acompanhamento dos pacientes com DM. “Para que não houvesse aglomeração, para que os pacientes não fossem aos serviços nesse período, houve, como em muitos locais, uma prorrogação da validade das prescrições, principalmente daqueles pacientes idosos, com doenças crônicas não transmissíveis e diabetes, por exemplo. E a gente viu uma oportunidade, uma necessidade também, de começar a fazer um projeto que a gente já tinha pensado”.

Para implantar o projeto, a equipe analisou alguns instrumentos que já existiam, como o caderno de atenção básica do Ministério da saúde, alguns documentos do próprio CFF, que norteiam a questão do cuidado farmacêutico, para que pudessem pensar como poderiam adequar esses instrumentos para uma teleconsulta farmacêutica. “E quais seriam os passos? A gente fez algumas revisões de literatura para ver como funciona o formato internacionalmente, até nacionalmente, estudando as experiências que existem no Brasil”, explica. Então, chegaram ao formato de fazer seis tele consultas com cada paciente e, para cada uma delas, havia um objetivo e um roteiro de orientação específico desenvolvido para os farmacêuticos que iram realizar esse acompanhamento. “Uma coisa que a gente também pensou desde o início foi a necessidade de conseguir acompanhar o registro dessa informação inserida pelo farmacêutico”.

Após identificarem as principais dificuldades, por meio de ligações aos pacientes, a equipe validou os instrumentos a serem utilizados no atendimento. Com o treinamento dos farmacêuticos, a equipe foi ampliada. Atualmente, sete profissionais realizam as consultas e as análises dos pacientes que irão fazer parte do projeto foi aperfeiçoada. “O projeto continua ativo no município. Agora, em fase de expansão, de uma articulação maior junto à atenção primária à saúde. Agradeço ao Conselho Federal de Farmácia pela oportunidade que nos deu para que nós pudéssemos apresentar este projeto do município de Fortaleza, compartilhar um pouco dessa nossa experiência que estamos tendo durante esses dois anos de pandemia e que deixa aí uma luz acesa de uma oportunidade para que os farmacêuticos possam atuar dentro da teleconsulta”, destaca Nívia Tavares.

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