Vanusa Barbosa Pinto fala sobre iniciativas para o enfrentamento da Covid-19

0
0

Equipe da farmacêutica, diretora da divisão de Farmácia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, se destaca no atendimento aos pacientes.

Para enfrentar a pandemia do covid-19, o atendimento do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), assim como outras unidades que recebem pacientes com o coronavírus no País, teve que passar por muitas mudanças. A farmacêutica Vanusa Barbosa Pinto é diretora da divisão de Farmácia do Hospital e falou de algumas adaptações que a equipe precisou fazer para otimizar a mão de obra e os insumos nesse período.
Ela explica que o Instituto Central do Hospital das Clínicas foi mobilizado para atendimento de pacientes com covid-19 e ainda em janeiro, montaram um Comitê de Crise e começaram a ter reuniões para uma futura mobilização. Em março foram contratados 11 farmacêuticos e 20 técnicos exclusivos para isso. Segundo ela, um dos principais desafios foi fazer o dimensionamento de pessoas a serem contradadas para o enfrentamento da pandemia e dos medicamentos necessários para o atendimento dos pacientes. “O segundo desafio foi treinar, não só essas pessoas novas, mas também as que já trabalhavam conosco, no uso de EPIs e nas novas regras sociais. Por exemplo, precisamos nos adaptar para o uso da copa dentro da própria farmácia e outras áreas comuns e como seriam as reuniões como nos diante das novas regras sociais”.

Vanusa Barbosa Pinto conta que para isso, foi elaborado um treinamento pela área de educação continuada da farmácia em conjunto com Subcomissão de Infecção Hospitalar do hospital e oferecido aos funcionários da farmácia. Esse treinamento abordou, principalmente, como os profissionais deveriam se comportar nas áreas de com pacientes covid. “A equipe da farmácia continuou entregando medicamentos nas unidades”. E apesar disso, dentro do instituto central, a farmácia teve um número pequeno de colaboradores infectados pelo covid-19. “Nós acreditamos que esse desafio foi vencido, porque nós cuidamos muito bem da saúde dos nossos colaboradores”, afirma.

A equipe teve que lidar com dificuldade de abastecimento no mercado de álcool em gel e do líquido para desinfecção de superfícies e dentro desse cenário “Muitas empresas fizeram doações e a nossa área de farmacotécnica hospitalar, conseguiu se mobilizar e fracionar álcool em gel em frascos de 500ml e, também, de álcool 70% para limpeza de superfícies que eram doados em grandes galões”.

O trabalho da farmacotécnica também foi intensificado para a adaptação de formas farmacêuticas para administração por sonda nasoenteral para os pacientes críticos em UTI. “Isso também foi muito importante para o tratamento desses pacientes. “Foi uma grande atuação da nossa área de farmacotécnica”. Vanusa lembra que a farmacotécnica hospitalar também contribuiu para os protocolos de pesquisa clínica para o tratamento da covid-19. “Desenvolvemos atividades de randomização, manipulação e mascaramento de medicamentos estéreis e não-estéreis e seus respectivos placebos, que foram utilizados em estudos do tipo duplo cego”.

No Hospital das Clínicas, a área de logística realiza o monitoramento diário dos medicamentos de sedação, em conjunto com a equipe médica e com a área de compras, garantindo a manutenção do atendimento dos pacientes críticos frente ao desabastecimento do mercado durante a pandemia. “Nós realizamos monitoramento diário dos medicamentos e, quando vemos que estamos com o estoque crítico, interagimos diretamente com a equipe médica para a adequação de protocolos, e, também, com a nossa equipe de compras”, destaca.

A área de distribuição de medicamentos para pacientes internados auxiliou na execução dos protocolos assistenciais. Alinhada com a equipe médica e com a de enfermagem, o setor cuidou da montagem de kits para sequência rápida de intubação e, também, no atendimento das salas de emergência. “Todo o processo de atendimento da doseindividualizada foi reorganizado para que pudéssemos circular o mínimo de tempo e de vezes pelo prédio com os pacientes com covid . Foi reorganizado todo o fluxo de devolução de medicamentos, com a implantação de uma área específica dedicada à higienização de medicamentos devolvidos, sendo que todos os medicamentos passam por desinfecção com álcool 70, seguindo as orientações preconizadas pela nossa comissão de infecção hospitalar”, afirma.

Com a pandemia, a diretora da divisão de Farmácia diz que a farmácia clínica avalia 100% das prescrições dos pacientes internados em unidades de terapia intensiva e nas enfermarias de covid-19, com a participação do farmacêutico clínico na elaboração e no gerenciamento de protocolos assistenciais, principalmente do protocolo de sedação e de anticoagulação. “A farmácia clínica também, em parceria com a equipe médica, de enfermagem e da subcomissão de infecção hospitalar, elaborou todo um agrupamento de horários de aprazamento dos medicamentos com o objetivo de diminuir o tempo de entrada dos profissionais que administram os medicamentos nos leitos dos pacientes”.

Além disso, a farmácia clínica também passou a aprazar todos os medicamentos para sedação de acordo com as prescrições médicas, principalmente os sedativos, os analgésicos e os bloqueadores neuromusculares. “Esse aprazamento passou a ser feito pelos farmacêuticos clínicos”.

Todos os farmacêuticos da divisão de Farmácia atuam no enfrentamento da pandemia e os farmacêuticos da área de atenção farmacêutica atuam também no acompanhamento dos pacientes pós-covid. Foi implantado um ambulatório de anticoagulação pós-covid com a participação da equipe de farmacêuticos clínicos de seguimento ambulatorial e médicos das equipes de clínica geral, moléstias infecciosas, reumatologia, cirurgia vascular e pneumologia. As consultas farmacológicas são feitas pelo farmacêutico, em consultório farmacêutico, e os casos são discutidos depois com a equipe médica. “Isso tem sido um grande trabalho nosso por que muitos pacientes pós-covid saem anti-coagulados do hospital e necessitam de um acompanhamento especializado, então passam pelo farmacêutico clínico que faz essa primeira consulta ambulatorial e realiza o seguimento da anticoagulação discutindo esses casos com a equipe médica”.

A diretora da Divisão de Farmácia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo faz um balanço das atividades no período de pandemia. “Fundamentalmente, nós mantivemos a equipe coesa. Aproveitamos as oportunidades para realmente ajudar o paciente, fazer a diferença no tratamento deles. Estreitamos muito a nossa relação com a equipe médica, com a diretoria de corpo clínico, com a área administrativa de compras e com o próprio paciente. A Farmácia sai muito fortalecida dessa pandemia. Tenho muito orgulho da minha equipe farmacêutica e de colaboradores, que não negou esforços para realmente fazer o melhor trabalho, prestar a melhor assistência farmacêutica ao paciente e é esse tipo de saúde que, com certeza, é a nossa missão”, agradece.

No auge da pandemia, o hospital em que Vanusa trabalha chegou a oferecer 700 leitos a pacientes com covid19, desses 320 de UTI.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui